Ilhas Revisitadas
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Esta iniciativa assinala o centenário da publicação de As Ilhas
Desconhecidas de Raul Brandão, propondo uma homenagem crítica e poética à
obra e aos territ...
Há 2 meses
...afirmou Manuel Alegre na sessão de encerramento do fórum “Democracia e serviços públicos”, em Lisboa, patrocinado por si, pelo Bloco de Esquerda (BE), renovadores comunistas e independentes (aqui e aqui mais coisas sobre o assunto).Depois tiram-me do sério as extrapolações que se fazem do que foi dito, arrepios instintivos do animal político que existe nalgumas almas. Umas leituras tentam ver por trás das palavras ou questionam a fragilidade da posição de Alegre.
A humilde leitura que faço de algumas leituras, assim mesmo reiterando o pleonasmo, é que se soltam as garras de meninos-socialistas-muito-modernos-e-que-até-mandam-vir-imenso-mas-que-rosnam-logo-à-mínima-afronta-ao-status-quo. Outros demoraram mais, aparentemente porque estiveram destacados correspondendo a partir da Grécia.
O Projecto Gutenberg é um esforço voluntário para digitalizar, arquivar e distribuir obras culturais através da digitalização de livros. Fundado em 1971, é a mais antiga biblioteca digital. A maioria dos itens no seu acervo são textos completos de livros em domínio público. O projecto tenta torná-los tão livres quanto possível, em formatos duradouros e abertos, que possam ser usados em praticamente quaisquer computadores.



"I believe that banking institutions are more dangerous to our liberties than standing armies. If the American people ever allow private banks to control the issue of their currency, first by inflation, then by deflation, the banks and corporations that will grow up around the banks will deprive the people of all property until their children wake-up homeless on the continent their fathers conquered." Thomas Jefferson, 1802
A "Avaliação" começa a ser outra causa facturante e parece-me que há culpas de ambas as partes.
Simples gestos fazem a diferença
Há alturas em que gostava que o continente estivesse mais próximo. Mas ao ver os noticiários este fim de semana e o "fresquinho" que por lá faz, dei graças ao atlântico que nos separa dessa frente fria. Por cá as temperaturas desceram qualquer coisa e surgem epidemias de gripes e constipações, fruta da época diz o povo. Começamos a ouvir os vizinhos a espirrar e não tarda a bater-nos à porta. Até agora fui-me esquivando, imagino as minhas defesas naturais, como diz o anúncio, a combaterem bichezas em coreografias "ao ralenti" tipo Matrix. Há coisa de uma semana falavam-me sobre outra virose, espécie de gastroenterite. E desta não me livrei. Talvez se tivesse tomado mais L-casei imunitase? Ora bolas, preferia o frio...
O congresso do Partido Comunista prometia. Nunca como agora as profecias contra o capitalismo fazem mais sentido aos ouvidos do povo. Nunca como agora houve tamanha margem para os partidos de esquerda fazerem a sua mensagem passar. Os votantes estão alerta, descontentes e a fermentar indignação em todos os sectores. A haver momento para uma coligação de esquerda "à séria", era este. Não me parece que a oportunidade se vá repetir nas próximas décadas. 

Quando eu era pequenina, morávamos ali entalados entre a Baixa e o Castelo, ao Largo do Caldas, na mesma casa onde a minha mãe se fez mulher. Frequentei até à 3ª classe a antiga escola feminina nº 28, na Rua da Madalena. Era um prédio, não tinha recreio ao ar livre e as funcionárias desdobravam-se a organizar actividades em grupo para não se gerar o caos. Jogávamos ao lenço e à mensagem, numa escola sem condições, meninos ricos e meninos pobres, filhos das peixeiras das bancas do mercado do Caldas e filhos de advogados. Filhos da Revolução.
Enquanto ontem me empenhava em lides domésticas, a televisão debitava um noticiário da rtpN. Estaquei, um par de meias por dobrar nas mãos, com as declarações de Manuela Ferreira Leite no colóquio "Portugal em crise, que alternativa". Muito gostava eu de ter gravado as pérolas. Como não o fiz e também não consigo arranjar as ditas ipsis verbis na net, aqui ficam tal como as lembro, ressalvando que as vírgulas não estão, com certeza, no seu original lugar, mas o sentido está.
Faltam apenas umas horitas para se acabar o suspense. O mundo, envolto no caos económico e em guerras várias, vira os olhos para a América. O movimento de esperança e fé na mudança, que a máquina de Obama magistralmente orquestrou, colheu frutos que brotaram até fora de portas. Ele é a aposta da Europa. Um herói em África. A Obama-mania à escala global. Suponho que não há país que não desejasse ter o seu Obama, negro e tudo.
Suponho que o facto de eu ter nascido no dia das primeiras eleições livres e democráticas em Portugal explique este meu lado revolucionário liberal de esquerda. Da lista de personalidades portuguesas que marcou a minha infância/adolescência alguns têm-me vindo a desiludir amargamente (a Helena Roseta surge-me logo à cabeça...). Outros finaram-se e mantêm o seu lugar cativo. Poucos, muito poucos, permaneceram fiéis a si próprios, convictos dos seus ideais sem se tornarem autistas ao mundo que os rodeia. Diria eu que estão envelhecendo bem. É o caso de Manuel Alegre, que voltou hoje a encher o meu peito de alegria, da genuína, num dia marcado por notícias más ou piores...
O artigo de capa da Visão desta semana até é inteligente. Assim pela foto e head-line não parecia. Esta coisa de tentar descortinar o universo feminino pelos olhos do êxito do filme "Sex and the City" não augurava nada de bom.
Esteve um dia como eu não gosto.
Gosto que me ofereçam livros. É verdade que adoro livros, mas muitas vezes dão-me ataques de forretice. Ora uma coisa boa de ter bons amigos é que sabem do que eu gosto e fazem-me a vontade... Este título foi assim uma oferta, coisa de amigo com bom gosto e constituiu uma verdadeira descoberta, muitíssimo agradável. Ao primeiro olhar perguntei "mas quem é Ismaïl Kadaré?"
Veio-me outro dia uma ideia alucinada para um conto, a reformulação da história infantil do Lobo Mau que, neste novo lifting, seria vegetariano por remorsos de ter comido a ovelha negra do PSR. O conto ainda não saiu, mas fiquei a remoer o que seria feito do Partido Socialista Revolucionário. Para quem não saiba ou não se lembre, mas à malta da minha geração provavelmente diz qualquer coisa, na década de 90 era muito mais cool ser simpatizante do PSR do que hoje em dia qualquer das forças partidárias existentes, Bloco de Esquerda incluído. E porquê? Porque era de esquerda quando a direita governava, e, essencialmente, porque era do CONTRA. Sendo que a JCP também era fixe e o festival AVANTE muito apreciado, mas os dogmas eram sagrados e não se podiam levantar assim tantas questões sem se ser olhado de lado "esta gaja tá armada em reaccionária ou quê? Camarada, vá lá ler mais umas coisinhas para se elucidar!"
Neste mesmo site descobri ainda esta pérola, que não resisto a postar aqui, isso mesmo, uma "Escola de Formação Marxista". Gostava de ser mosca para poder ir lá espreitar a juventude que discutirá, nestes dias que correm, a Guerra Civil Espanhola e a actualidade do Che.