2.04.2009

não foi para isto que se fez Abril

Segunda era para ter ido ao cinema, mas adormeci e perdi a hora, pelo que sobrou o Prós & Contras sobre o caso "Freeport".
Bad judgment. Worst script. Lousy actors.

Sobre o caso em si, desde que vi a entrevista à Cândida procuradora que já espero toda a espécie de branqueamento relativamente a este assunto. Não tenho a menor dúvida que este será mais um processo para cair em saco roto, apesar de cheirar mal que tresanda, e um eventual envolvimento de Sócrates acaba por ser o menos... Entre o sumário julgamento público e a vitimização do próprio, parece-me que sobra pouco espaço para a verdade dos factos.

Gostava, entretanto, que alguém explicasse a razão pela qual tratamos tão mal o idílico lugar que nos coube habitar. Até quando iremos permitir que o poder político desbarate o nosso património e recursos naturais à ambição e avareza de grupos económicos? Com franqueza, não haveria melhor lugar do que um sapal protegido para plantar um empreendimento como o Freeport? Alguém explica o afastamento dos técnicos que se pronunciaram contra? Alguém justifica cabalmente porque veio a ser viabilizado? Mais do que descobrir exactamente as luvas que foram pagas e a quem, gostava que, por uma vez, houvesse apuramento de responsabilidades políticas.
Sonho meu, sonho meu....

Respostas não obtive, apenas mais umas achegas ao pantanal em que está feito o nosso sistema judicial. Ouvi coisas de tirar a compostura ao mais sereno cidadão. Aposto que o Saldanha Sanches não vai acabar o mês sem um processo por difamação. Sem papas na língua, falou de um processo de desmantelamento com vista à desoperalização da PJ, de que culpou o governo. Sobre a Procuradoria Geral da República diz estar a soldo do mesmo governo. Falou-se ainda na mísera imagem que projectamos para o exterior, um país sem rei nem roque, que não consegue deslindar nenhum caso de polícia mais relevante. Da amálgama entre poder político e judicial, constitucionalmente independentes, na prática, meras interdependências.

O culminar foi a intervenção de um politólogo cujo nome não fixei, mas que apresentou dados arrasadores sobre os níveis de confiança dos cidadãos na Justiça e na Democracia. Se o resto não tivesse bastado, isto arredou-me o soninho até altas horas. Afinal, a maioria de nós já percebeu que vivemos numa cleptocracia mal disfarçada. Diz-se que o povo é sereno, mas o que de mais vermelho existe em mim acha que não foi para isto que se fez Abril.

Porque não há Liberdade sem Justiça!
_

2 comentários:

Filipe Machado disse...

Realativamente ao teu primeiro parágrafo, lembrei-me AGORA que era suposto estar na sala de cinema do Solmar... Esqueci-me completamente... A minha cabeça está cada vez pior...

Maria das Mercês disse...

Vocês estão proibidos de comer queijo.