
O PSR teve o mérito de agarrar estas franjas de juventude inquieta e pouco dada a verdades inquestionáveis. Sendo poucos os meios, era grande a criatividade, desde logo, pela reintrodução das pinturas murais como forma de propaganda política, que tinha entrado em desuso.
O que defendia o PSR, de uma forma simples, eficaz e altamente sedutora aos adolescentes? Coisas simples como a legalização do aborto, o fim da tropa obrigatória e da reforma educativa da altura. A tolerância era uma máxima, a paz um direito. Anti-racistas e anti-xenófobos, foram, que me lembre, a primeira força política a reinvindicar igualdade de direitos para homossexuais.
Nas legislativas de '91 surge aquela que viria a ser a mascote do PSR, a OVELHA NEGRA! Uma ovelha simpática, tipo BD, que que apelava a fugir ao rebanho, há lá melhor forma de cativar os jovens?!
Havia ainda o jornal COMBATE, que a malta lia com a mesma devoção do BLITZ. As reuniões a que assisti eram encontros, nem diria informais, mas caóticos. Era muita hormona no ar, muita criatividade a brotar, um brainstorming difícil de acompanhar. Havia sobretudo empenhamento e um ideal por um mundo melhor.
Lembro-me bem a 1ª vez que votei. Andava desejando aquele dia que parecia não chegar e, com um misto de sentido de responsabilidade cívica e imensa alegria, lá depositei o papelinho dobrado em quatro.
O PSR enquanto partido diluiu-se na criação do Bloco de Esquerda, assim como o Política XXI. Mas eis que, surpresa!, não morreu. Trnsformou-se em Associação Politica Socialista Revolucionária, que congrega militantes do Bloco de Esquerda. A revista COMBATE pode agora ser descarregada em versão PDF no site http://combate.info/

Mas fiquei contente, juro que fiquei. Sinto hoje a malta amorfa, a maioria sem qualquer tipo de espírito de intervenção política, agarrados às consolas video, aos telemóveis última geração, ao messenger, entretidos com bulling e a bater em professores. O que é feito de acreditar num ideal, numa utopia?
Não gosto nada de rótulos e, como tal, nunca achei importante rotular-me politicamente. Outro dia, em conversa com alguém mais sabedor nestas matérias, escutei um "ah, és como eu, és liberal". Fiquei a pensar nisso e depois desta curta investigação às reminiscências do meu acordar para a política, acho que descobri. Sou não conformista. Não me conformo com o estado das coisas, não me revejo em nenhum partido, discordo em grande ou menor parte, de todos eles. E penso que este legado me foi deixado pela simpática ovelha negra, que apesar de tudo, teimo em continuar a ser...