
Encerraram as únicas salas da ilha onde iam aparecendo filmes de qualidade. O problema nem é local, porque o cinema está em crise. Os estúdios já vão contando mais com lucros de comercialização de DVD's e merchandizing do que com receitas de bilheteira.
Ver filmes em casa tem todas as comodidades e zero de mística. Carregamos no play quando nos apetece, enroscados no sofá ou estirados na cama, paramos quando queremos, pomos o volume que desejamos... e a mim sucede-me raramente querer esse comodismo todo.
Contam-se pelos dedos de uma mão os DVD's que possuo.
Volta e meia trago uns quantos emprestados que devolvo semanas mais tarde sem ter visionado. Paradoxalmente, vejo alguns que passam na televisão, quando os apanho assim de raspão, a meio do zapping.
Concluo que há coisas em que prefiro não ter o poder, a decisão, o comodismo e a antecipação. Ir ao cinema é um acto social, mesmo que o façamos sozinhos. Há uma hora de começo, um lugar onde sentar, o silêncio a respeitar e não se pode fumar.
Mas é que o mesmo filme não sabe ao mesmo. Eu gosto do sabor que me fica em grande ecrã. Não há plasma, LCD, HD, 16:9 que me convençam.
Agora tenho de me deixar de manias. Argh...